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Economia Solidária

Por Valdener P. Miranda


Qual o melhor sistema de distribuição e de comercialização de produtos solidário a ser adotado no Brasil? Por certo, estamos em um país peculiar, com características geográficas, culturais, econômicas e políticas que devem ser levadas em consideração na continuidade do debate.

Por ora saliento aspectos mais proeminentes do cenário brasileiro que podem interferir no tema, tais como o contexto de implementação de pontos de vendas e distribuição de produtos solidários no mercado interno e externo; a necessidade de uma regulamentação pública sobre o tema, para desenvolvimento de projetos de educação para o consumo responsável visando formar um público consumidor conscientizado e mobilizado.

Primeiro aspecto se justifica pelo fato de que a produção e comercialização dos produtos solidários brasileiros estão muito mais direcionados ao mercado externo do que ao interno. Uma razão, certamente, remonta da própria historia do movimento de comercio justo solidário, que nasceu com finalidade de aproximação dos produtores do sul aos consumidores do norte.

Considero necessariamente a importância de desenvolver mercados locais que garantam a comercialização interna dos produtos aqui produzidos, de forma a alterar, paulatinamente, a realidade acima apontada – não para excluir a exportação, mas para contemplar também as inúmeras possibilidades existentes no nosso território.

Assim pode-se trazer a discussão, o segundo aspecto relacionado ao contexto brasileiro, ou seja, a necessidade de uma regulamentação pública que garanta uniformidade e segurança no desenvolvimento do comércio ético e solidário no país, visto que a falta de um sistema regulador também pode ser um dos fatores impeditivos ou complicadores do desenvolvimento de um mercado interno.

O terceiro fator, também de grande importância no contexto Nacional, é o desconhecimento atual em relação àqueles que de fato podem-se considerar como potenciais produtores, comerciantes e consumidores da cadeia de comercio ético e solidário no Brasil.

Resta salientar a falta de um público consumidor para figurar como o elo final que justifique toda cadeia. Para que se possa evoluir nesse aspecto, é imprescindível implementar projetos de educação para o consumo responsável nos variados grupos, como escolas, associações comunitárias, grupos de produtores, cooperativas de consumidores, que podem figurar como agentes multiplicadores de uma percepção sobre a importância social e política presente no ato de optar por um produto ético e solidário, valorizando assim a territorialização propriamente dita, entendida como a legitimização e o estimulo de canais locais de troca, como a compra e venda e a informação, que venham a facilitar e a garantir a tão sonhada humanização da cadeia, a fim de que os consumidores tomem consciência da cultura, da identidade e das condições de vida dos produtores.

Valdener P. Miranda - Coordenador do Programa de Comercialização Solidária (PCS) da ASSEMA; Membro do Conselho Nacional de Economia Solidária e Membro da Coord. Nacional da Articulação de Certificação para Comercio Ético, Justo e Solidário Brasileiro.

ASSEMA

Por: Valdener P. Miranda
Publicado em: 01/12/2006

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